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O que aconteceria se explodíssemos a Lua



A Lua é o Tango do Cash da Terra, o Hall para o nosso Oates, o Lennon para o nosso McCartney, antes de eles se odiarem. Colocando de maneira simples, nosso planeta e a Lua são almas gêmeas: exceto, é claro, se algo acontecesse a uma delas. Tipo, sei lá, e se a gente simplesmente explodisse a Lua?

No Giz Asks desta semana, o Gizmodo conversou com astrônomos e cientistas planetários sobre as ramificações da explosão do nosso amado satélite. Embora a ideia tenha sido uma fonte excelente para a ficção científica (olá, Neal Stephenson), vale a pena entender o que de fato aconteceria se algum maluco decidisse destruir a Lua.



Caitlin Ahrens

Astrônomo, físico e candidato a PhD em Ciênciais Espaciais e Planetárias, na Universidade do Arkansas

Digamos que quiséssemos explodir a Lua, só por diversão. Quais são nossas opções?

A Lua é um pedaço de rocha esférico com gravidade. Isso significa que todas as rochas e grãos estão ligados ao que é chamado de “energia de ligação”.

Com uma pequena e linda massa de 7.3×10^22 kg e um raio de 1.737 km (ah, que adorável), a gente vai explodi-la.

Agora, explodir a Lua não vai ser fácil. Qualquer coisa menor que a energia de ligação, e as rochas vão se reorganizar sozinhas de volta à esfera. A energia de ligação da Lua é de 1.2×10^29 Joules.

Então vamos colocar isso em perspectiva, com três possíveis armas de escolha: 2.86×10^13 Megatonne TNT

1. Nuclear: a energia de ligação da Lua convertida em energia equivalente em TNT é de 2.86×10^13 megatoneladas de TNT. A bomba mais poderosa construída durante a Guerra Fria produziu 50 megatoneladas. Você precisaria de 52.000.000.000 dessas bombas!

2. Laser: a quantidade de energia do Sol a cada seis minutos produz 3×10^13 megatoneladas. Isso é luz suficiente para cozinhar e vaporizar a Lua! (Talvez em até menos pedaços?)

3. Perfuração: se fossemos “causar um tremor na Lua” (por que não), seria necessário um tremos de magnitude maior que 16.45! (O maior terremoto [já registrado] foi de magnitude 9.5.



Pamela Gay

Astrônoma, escritora e Diretora de Tecnologia e Ciência Cidadã na Astronomical Society of the Pacific

O quão perigoso seria para a vida na Terra se explodíssemos a Lua?

Algumas vezes todos dizemos (brincando): “E, agora, vamos todos morrer”. Eu sei que é assim que eu me sinto quando estou tentando atravessar as ruas na hora de pico em Jacarta. Embora a morte seja uma possibilidade nessas situações, isso não é determinado ou comum.

Se de alguma maneira fossemos bombear energia suficiente para a Lua para explodi-la, a resposta correta seria um enunciado sério de “e, agora, vamos todos morrer”. A Lua é mantida globalmente pela gravidade e, em menores escalas, pelas ligações químicas que mantêm juntas pedras e até mesmo grãos de areia. Se a Lua fosse explodida, as forças necessárias mandariam pedaços dela voando em altas velocidades. Pedaços maiores formariam crateras em nosso planeta, enquanto os menores queimariam a atmosfera.

Em um estranho caso de apenas pedaços grandes serem criados, alguns deles atingiriam a Terra e gerariam enormes ondas de choque, potencialmente tsunamis globais e arremessariam quantidades enormes de detritos na atmosfera. Os impactadores poderiam deixar pontos quentes de ebulição onde corpos d’água estivessem envolvidos.

Embora possa parecer que detritos (ou pedaços menores da Lua) caindo através da atmosfera não devam ser muito fatais, essa intuição está errada. Conforme um material em alta velocidade desacelera na atmosfera, sua energia cinética é transformada em energia térmica. Quanto mais coisas (detritos espalhados ou pequenos pedaços da Lua caindo) passam por nossa atmosfera, mais calor chega a ela. Em um certo ponto, nosso planeta se torna um forno de convecção, e a vida fora de oceanos e que não está soterrada abaixo do solo seria assada.

Esse é um jeito ruim de morrer.

Como as marés seriam impactadas se a Lua explodisse?

Falando semi-literalmente, as marés seriam mandadas para um outro mundo.

Falando como pretendido, quaisquer corpos d’água que se reformassem conforme a Terra se recuperasse desse evento devastador seriam potencialmente modelados por forças que não de maré – o que significaria que não haveria marés. É possível que alguns pedaços da Lua explodida e detritos lançados pudessem se restaurar em um novo e menor objeto, e isso, por sua vez, levaria a novas marés que teriam seus tempos ditados pelo novo período orbital da Lua, e alturas ditadas pelos novos tamanho e distância da Lua para a Terra.



Konstantin Batygin

Astrônomo e professor assistente de Ciências Planetárias na Caltech

A Terra pareceria diferente se explodissemos a Lua?

A Lua é preciosa. Ela estabiliza o eixo de rotação da Terra. Sem a Lua, a Terra iria variar caoticamente entre temperaturas de -17ºC e 29 ºC. Embora a escala de tempo com que tais mudanças aconteceriam seria extremamentelonga (dezenas a centenas de milhões de anos, a variação caótica da obliquidade da Terra poderia se provar essencial para a estabilidade do nosso clima e da habitabilidade geral do nosso planeta.

Poderíamos não estar aqui para perguntar sobre o que aconteceria se a Lua não estivesse aqui, se não fosse pela existência da Lua!

Imagem do topo: Jim Cooke/Gizmodo/Lucasfilm

FONTE: GIZMODO BRASIL

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