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Mulheres de minorias étnicas sofrem uma quantidade assustadora de assédios na astronomia



A ciência é um campo esmagadoramente hostil às mulheres, e, na astronomia, é duplamente ruim para mulheres de minorias étnicas. Uma nova pesquisa publicada nesta segunda-feira (10) no Journal of Geophysical Research afirma que, como resultado do assédio persistente por parte de seus colegas homens, muitas mulheres de minorias étnicas se sentem inseguras no trabalho, comparecendo a conferências e conduzindo pesquisas de campo.

Kate Clancy, professora associada da Universidade de Illinois, vem pesquisando a discriminação dentro das ciências há anos. Em 2014, ela e sua equipe publicaram um estudo na PLOS One que descobriu que, das 600 pesquisadoras de campo pesquisadas, 71% disseram ter ouvido observações sexuais inapropriadas enquanto estavam no campo e 26% disseram ter sofrido agressão sexual.

Em seu novo estudo, Clancy e sua equipe pesquisaram 474 astrônomas e cientistas planetárias entre 2011 e 2014. Todas as pesquisadas se identificavam como mulheres ou não-binárias e vinham de diversas etnias e “categorias de níveis de carreira”, como pós-graduação, pós-doutorado e mais. As pesquisadas foram perguntadas sobre tudo, desde o assédio verbal ao físico. O estudo não só encontrou taxas de assédio deprimentemente elevadas entre todas as mulheres entrevistadas como também concluiu que “as mulheres de cor experimentaram as maiores taxas de experiências negativas no local de trabalho”, incluindo assédio e ataques.

“40% das mulheres de cor relataram se sentirem inseguras no local de trabalho como resultado de seu gênero ou sexo, e 28% das mulheres de cor relataram se sentirem inseguras como resultado de sua raça”, escreveram os pesquisadores. “Por fim, 18% das mulheres de cor e 12% das mulheres brancas deixaram de ir a eventos profissionais porque não se sentiram seguras, identificando uma perda significativa de oportunidades de carreira devido a um clima hostil.”

O assédio sexual é um dos crimes mais subestimados nos Estados Unidos. Embora as razões pelas quais as mulheres escolhem não denunciar os ataques que sofrem ou mesmo o assédio no local de trabalho são infinitas e complexas, os obstáculos dentro da academia podem tornar o processo ainda mais excruciante. Considerando que cargos permanentes em equipes são difíceis de encontrar, muitas mulheres não querem arriscar sua carreira ao serem marcadas como “aquela que se queixou“.

“Existem muitas barreiras para denunciar, e há graves consequências para as vítimas que se atrevem a relatar, porque é retraumatizante”, disse Clancy ao Gizmodo. “Isso exige que [as vítimas] façam as coisas em uma capacidade oficial, quando talvez elas apenas desejem conversar com alguém sobre isso e organizar seus sentimentos. Mas existem poucas oportunidades para essas conversas intermediárias, porque, na maioria dos contextos acadêmicos, no momento que você fala com alguém sobre o que aconteceu, a universidade exige que você informe a todo o sistema.”

Para muitas cientistas que sofreram assédio ou agressão, há também o medo de que o perpetrador não seja repreendido. Mesmo que o perpetrador seja responsabilizado, muitas vezes isso acontece tarde demais.

Na astronomia, o caso do ex-professor da Berkeley Geoff Marcy provavelmente é ao exemplo mais noticiado nos últimos anos. O potencial vencedor do prêmio Nobel renunciou em 2015 depois que uma investigação de seis meses conduzida por sua universidade descobriu que ele havia violado as políticas de assédio sexual, beijando, tateando e tocando inapropriadamente suas estudantes. Levou quase uma década para que Berkeley fizesse alguma coisa de maneira oficial.

“Dados são importantes e úteis, mas, na verdade, uma das coisas mais importantes que esse relato pode fazer é oferecer afirmação às mulheres que já sabiam que isso era verdade.”

Cerca de um ano depois do caso de Marcy, a representante Jackie Speier — Democrata da Califórnia — propôs uma legislação que resolvesse melhor o problema de professores que renunciaram ou foram expulsos de suas universidades por assédio sexual motivado por gênero. Enquanto isso, mulheres na astronomia começaram a usar a hashtag #AstroSH, ou “assédio sexual na astronomia”, para compartilhar suas experiências no campo.

A #AstroSH cresceu e se transformou em uma coleção de vozes se expressando contra injustiça. Mas é importante notar que as mulheres de minorias étnicas nos campos da ciência têm falado disso há anos.

“É difícil”, disse ao Gizmodo a Dra. Chanda Prescod-Weinstein, astrofísica teórica que escreveu extensivamente sobre desigualdade racial e de gênero nos campos STEM. “Acho que, na nossa cultura orientada pelo machismo, estar ‘certa’ e vencer é normalmente algo empolgante. Mas é duro estar certa sobre isso.”

Embora o estudo de Clancy tenha se concentrado na astronomia e em campos relacionados, não está claro se a astronomia é particularmente misógina ou se casos como o de Marcy trouxeram mais atenção à mídia para essa área de estudo. Clancy diz que ela e sua equipe estarão realizando análises qualitativas em 20 entrevistas que já realizaram para melhor responder a essa pergunta.

“Parece-me — embora isso seja anedótico — que as ciências físicas, em parte por serem historicamente mais masculinas, têm um local de trabalho muito diferente em termos do que é considerado um comportamento aceitável”, disse Clancy. “Bullying e intimidação são normas do local de trabalho em alguns desses lugares… meu palpite é de que, embora não seja um grande ambiente de trabalho para todos, pode ser especialmente ruim para as pessoas que fazem parte de minorias sub-representadas.”

Embora seja importante questionar a cultura do local de trabalho dentro da astronomia, também é fundamental investigar como outros campos das ciências tratam as mulheres, especialmente as mulheres de minorias étnicas, que são gravemente sub-representadas nas ciências. Um estudo da National Science Foundation descobriu que, entre 1973 e 2012, 22.172 homens brancos receberam doutorado em física. No mesmo período, 66 mulheres negras receberam doutorado em física.

“Por que será que o número de mulheres na física em programas de pós-graduação parece ser menor na física do que na astronomia, mas estamos ouvindo muito menos histórias [sobre assédio e agressão sexual] em física”, disse Prescod-Weinstein. “Nós realmente achamos que é porque isso não acontece na física, ou é porque a cultura na física é ainda mais tóxica no silenciamento?”

O novo estudo de Clancy não é nenhuma revelação para as mulheres de minorias étnicas vivendo essas experiências, mas é uma afirmação de que elas são ouvidas e de que acreditam nelas.

“Acho que a lição que precisa ser tirada desse estudo é de que dados são importantes e úteis, mas, na verdade, uma das coisas mais importantes que esse relato pode fazer é oferecer afirmação às mulheres que já sabiam que isso era verdade”, Prescod-Weinstein disse.

[Journal of Geophysical Research]

FONTE: GIZMODO BRASIL

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